Proforma invoice é o documento que abre formalmente uma operação de importação. Não tem valor fiscal — não substitui nota fiscal, não gera obrigação tributária — mas serve como contrato comercial preliminar entre comprador e fornecedor estrangeiro: especifica produto, preço, quantidade, incoterm, condições de pagamento e prazo. É o que você apresenta ao banco pra liberar pagamento internacional, ao despachante pra começar pré-classificação NCM e ao seguro pra cotar a apólice.
O confuso é que existem três documentos comerciais em uma operação de importação que são facilmente trocados — proforma invoice, commercial invoice e packing list. Cada um tem função distinta no fluxo: a proforma vem antes do pedido (orçamento formal); a commercial invoice vem depois da produção (fatura efetiva, com valor fiscal e incidência de tributos no desembaraço); o packing list acompanha a mercadoria (descrição física dos volumes). Confundir os três é a causa #1 de problemas no desembaraço aduaneiro.
Este guia mostra modelos práticos dos três documentos, os campos obrigatórios de cada um, quando e como usar, e os erros que mais geram parametrização canal vermelho ou autuação fiscal em importações da China.
📌 O que você vai aprender
- Diferença prática entre proforma invoice, commercial invoice e packing list
- Campos obrigatórios de cada documento (com tabelas completas)
- Modelos práticos pra usar com fornecedor chinês na próxima compra
- Como a proforma se conecta com Bill of Lading, DI/DUIMP e câmbio
- Erros comuns que geram canal vermelho ou autuação no desembaraço
Resumo executivo (TL;DR)
- Proforma invoice: contrato preliminar — sem valor fiscal. Usada antes do pedido pra fechar termos comerciais e abrir contrato de câmbio.
- Commercial invoice: fatura efetiva — base de cálculo de imposto na DI/DUIMP. Acompanha o embarque. Tem valor fiscal e gera tributação.
- Packing list: descrição física dos volumes — peso, cubagem, marcação, número de cada caixa. Não tem valor fiscal mas é cruzado com BL e commercial invoice no desembaraço.
- Sequência típica: proforma (pré-pedido) → pagamento sinal → produção → packing list + commercial invoice (pré-embarque) → embarque → BL → desembaraço.
- Risco principal: divergência entre os 3 documentos (peso/quantidade/descrição) trava DI no canal vermelho e gera multas.
O que é proforma invoice?
Proforma invoice (em português, fatura pro-forma) é um documento comercial emitido pelo exportador antes do envio efetivo da mercadoria que descreve em detalhe a operação proposta: produto, especificação técnica, preço unitário e total, quantidade, incoterm, porto de embarque, condições de pagamento e prazo de entrega. Funciona como contrato comercial preliminar — a base sobre a qual o comprador toma decisão de compra e estrutura toda a logística subsequente.
Apesar de ser um “documento” formal, a proforma não tem valor fiscal. Não gera obrigação tributária no Brasil, não é registrada no Siscomex, não substitui a nota fiscal de saída do exportador (commercial invoice). Mas tem três funções operacionais críticas:
- Base do contrato de câmbio. O banco brasileiro precisa da proforma pra registrar a operação de câmbio e autorizar a remessa de pagamento ao exterior.
- Pré-classificação NCM. O despachante usa a proforma pra classificar fiscal preliminar e estimar tributação — antes do embarque.
- Cotação de seguro internacional. Seguradora exige proforma pra emitir apólice de transporte com valor segurado correto.
Em resumo: sem proforma, a operação não começa. É o primeiro documento estruturado da importação, e é também o que valida que o fornecedor está alinhado com o comprador antes de qualquer movimentação financeira ou logística.
Proforma × Commercial × Packing list
Esses são os três documentos comerciais que acompanham toda importação. Confundir as funções é o erro mais comum em operação iniciante:
| Característica | Proforma invoice | Commercial invoice | Packing list |
|---|---|---|---|
| Quando emitida | Antes do pedido (orçamento formal) | Após produção, antes do embarque | Junto com a commercial invoice |
| Valor fiscal | Não tem | Sim — base de cálculo do II/IPI/ICMS | Não tem |
| Acompanha mercadoria? | Não | Sim — anexada ao BL | Sim — anexada ao BL |
| Função principal | Contrato comercial preliminar | Fatura efetiva da venda | Descrição física dos volumes |
| Usada em | Câmbio, pré-classificação, seguro | DI/DUIMP, desembaraço, contabilidade | Conferência física, BL, packing |
| Obrigatória em todas as operações? | Sim (B2B internacional) | Sim | Sim |
| Quem emite | Exportador (fornecedor) | Exportador | Exportador |
| Vinculação ao Siscomex | Não direta | Direta — número vai na DI/DUIMP | Cruzada com BL via número de volumes |
⚠️ Erro clássico — pagar contra proforma e não exigir commercial invoice
O importador inexperiente recebe a proforma, paga o sinal (T/T), o fornecedor produz… e na hora do embarque emite só o packing list, esquecendo a commercial invoice. Resultado: o BL é emitido sem fatura comercial, a DI não pode ser registrada, e o contêiner fica retido no porto pagando demurrage. Sempre exigir commercial invoice antes do embarque.
Campos obrigatórios da proforma invoice
Uma proforma bem estruturada tem 12 campos obrigatórios. Faltar qualquer um trava o contrato de câmbio no banco ou impossibilita pré-classificação fiscal:
| # | Campo | O que preencher |
|---|---|---|
| 1 | Identificação dos termos | Cabeçalho: “PROFORMA INVOICE” ou “PROFORMA INVOICE No. [número]” |
| 2 | Número e data | Número de controle do exportador + data de emissão |
| 3 | Exportador (Seller) | Razão social completa, endereço, país, contato comercial |
| 4 | Importador (Buyer) | Razão social completa do importador BR, CNPJ, endereço |
| 5 | Descrição da mercadoria | Nome, marca, modelo, especificação técnica — detalhada o suficiente pra classificar NCM |
| 6 | NCM/HS Code | Código fiscal da mercadoria (do lado do exportador é HS Code; do lado BR é NCM) |
| 7 | Quantidade e unidade | Quantidade total + unidade (PCS, KG, M³, SET, PAIR) |
| 8 | Preço unitário e total | Em USD, EUR ou CNY — sempre com moeda explícita |
| 9 | Incoterm | EXW, FCA, FOB, CIF, DAP, DDP — define responsabilidades |
| 10 | Porto de embarque (POL) | Cidade + país (ex: Shanghai, China) |
| 11 | Condições de pagamento | T/T 30%/70%, L/C at sight, OA 30d, etc. |
| 12 | Validade da proposta | Prazo até quando o exportador honra os termos (15-60 dias típico) |
Campos opcionais mas recomendados: peso bruto e cubagem estimada (ajuda na pré-cotação de frete), tempo de produção (lead time), política de amostra, e conta bancária para wire transfer (já evita troca de e-mails depois).
Campos obrigatórios da commercial invoice
A commercial invoice é a versão “definitiva” da proforma — emitida após produção e usada como base de cálculo no desembaraço (DI/DUIMP). Os 12 campos da proforma se mantêm, com 6 adições críticas:
| Campo adicional | O que preencher |
|---|---|
| Número da commercial invoice | Sequencial do exportador — vai pra DI/DUIMP |
| Referência ao Bill of Lading | BL Number quando já emitido (ou pendente) |
| Número do contêiner + lacre | Quando carga em FCL — confere com BL |
| Peso líquido + bruto | Em kg, exatos — cruzados com packing list e BL |
| Origem da mercadoria | País de origem (não confundir com país de embarque) |
| Assinatura/carimbo do exportador | Original obrigatório em alguns processos (carta de crédito) |
🚨 Divergência entre proforma e commercial invoice
Se o valor declarado na commercial invoice for diferente do valor pago via câmbio (que segue a proforma), a Receita Federal pode caracterizar subfaturamento. Multa: 100% sobre a diferença + perdimento da carga em casos graves. Sempre confira: o valor da commercial invoice deve ser exatamente o que foi remetido em câmbio (mais a parte ainda não paga, se split T/T).
Campos obrigatórios do packing list
O packing list é o documento mais “operacional” dos três — descreve fisicamente os volumes embarcados. É essencial pra conferência no porto, vistoria do desembaraço e cálculo de frete. Tem 8 campos obrigatórios:
- Identificação: “PACKING LIST No. [número]” — geralmente alinhado com a commercial invoice.
- Data: data de emissão (deve coincidir com a commercial invoice).
- Exportador e importador: idêntico aos demais documentos — qualquer divergência é red flag.
- Lista de volumes: número de cada caixa/pallet, dimensões (cm), peso bruto e líquido individual.
- Marcação dos volumes: “marks & numbers” — código que aparece em cada caixa pra rastreio.
- Total de volumes: número total de caixas/pallets — cruzado com BL.
- Cubagem total (CBM): em metros cúbicos — base do cálculo de frete em LCL.
- Peso bruto total e líquido: em kg — cruzado com BL e commercial invoice.
“Em 19 anos operando importação da China, vi clientes perderem 5-10 dias de desembaraço só porque o packing list dizia 47 volumes e o BL dizia 48. A vistoria no porto encontra 47, sistema acusa divergência, vai pro canal vermelho. Conferir os 3 documentos antes do embarque é trabalho de 30 minutos que poupa semanas.”
— Vinicius Marques · Head of Growth Guelcos · Founder HeyShip · 19 anos em comércio exterior
Fluxo completo: como os 3 documentos se conectam
Em uma operação típica de importação da China — modelo que a Guelcos opera há 19 anos — os documentos seguem uma sequência clara — e se conectam com Bill of Lading, contrato de câmbio e DI/DUIMP em momentos específicos:
- Cotação inicial — fornecedor envia proforma invoice com termos preliminares.
- Negociação e PO — comprador ajusta termos, envia Purchase Order, recebe proforma definitiva.
- Contrato de câmbio — banco brasileiro registra operação com base na proforma. Importador paga sinal (T/T 30% típico).
- Pré-classificação NCM — despachante usa proforma pra estimar tributos e antecipar problemas (anti-dumping, ex-tarifário, LI).
- Produção — fornecedor produz (lead time típico China-Brasil: 30-60 dias).
- QC e inspeção pré-embarque — comprador valida produto antes do embarque.
- Saldo de pagamento — comprador paga 70% restante (ou conforme contrato L/C).
- Emissão de commercial invoice + packing list — fornecedor emite documentos finais.
- Embarque — armador emite Bill of Lading com base nos 3 documentos.
- Trânsito marítimo — 30-50 dias China → Brasil.
- Chegada e desembaraço — DI/DUIMP usa commercial invoice + packing list + BL como referência.
- Liberação e contabilização — commercial invoice vai pra contabilidade do importador.
📌 Conexão crítica com BL e DI
O número da commercial invoice aparece no BL (campo “shipping marks”) e na DI/DUIMP (campo “fatura comercial”). Esse trio — commercial invoice number, BL number, CE-Mercante — é o que amarra toda a operação no Siscomex. Divergência entre eles é o caminho mais rápido pro canal vermelho.
Modelo prático de proforma invoice
Estrutura mínima pra solicitar de qualquer fornecedor chinês na primeira interação:
📋 Template proforma invoice (estrutura mínima)
PROFORMA INVOICE No. PI-2026-001 Date: 06/05/2026 Validity: 30 days SELLER: [Razão social] · [Endereço completo] · [Tel/WeChat] BUYER: [Razão social BR] · [CNPJ] · [Endereço] DESCRIPTION OF GOODS: | Item | Description (full spec) | HS Code | Qty | Unit | Unit Price (USD) | Total (USD) | | 1 | [Produto detalhado] | xxxx.xx | 100 | PCS | 50.00 | 5,000.00 | SUBTOTAL: USD 5,000.00 TOTAL FOB SHANGHAI: USD 5,000.00 INCOTERM: FOB Shanghai PORT OF LOADING: Shanghai, China ESTIMATED CBM: 2.5 m³ ESTIMATED GROSS WEIGHT: 350 kg PAYMENT TERMS: T/T 30% deposit · 70% before shipment LEAD TIME: 35 days after deposit confirmation BANK DETAILS: Bank: [Nome do banco chinês] SWIFT: [código SWIFT] Account No.: [conta] Beneficiary: [razão social do exportador] REMARKS: - Sample policy: free, courier paid by buyer - Quality standard: AQL 2.5 (major) / 4.0 (minor) - Pre-shipment inspection: third-party agency at buyer's discretion
Esse modelo, validado pela Guelcos em mais de 6.000 contêineres, é suficiente pra abrir contrato de câmbio em qualquer banco brasileiro habilitado e pra começar pré-classificação fiscal. Para operações maiores (acima de US$ 100k), recomenda-se também anexar RFQ formal com critérios de avaliação e contrato comercial separado.
Quais cuidados ter ao receber a proforma do fornecedor?
Quando o fornecedor chinês envia a proforma invoice, ela não é só uma formalidade — é o documento que vai sustentar o contrato de câmbio, a remessa do pagamento e a pré-classificação fiscal. Por isso, antes de aprovar e pagar, vale rodar uma análise rápida de cada ponto do documento:
- Confira se há todas as informações obrigatórias. Faltando descrição do produto, Incoterm, condição de pagamento ou dados bancários, o banco trava a remessa.
- Analise cada campo com calma. Valor unitário e total, moeda, quantidade, peso e Incoterm precisam bater com o que foi negociado — divergência aqui vira problema no desembaraço.
- Cheque o prazo de validade. Proforma costuma valer 15 a 30 dias; vencida, o preço e o câmbio podem já não valer, e o fornecedor pode pedir reemissão.
- Valide os dados bancários antes de pagar. Conta de beneficiário diferente da razão social do fornecedor é um dos sinais clássicos de golpe — confirme por outro canal.
- Guarde a versão aprovada. É ela que dá origem à commercial invoice; qualquer mudança posterior precisa de uma nova proforma assinada.
Esse cuidado de cinco minutos evita os transtornos mais comuns: remessa barrada no banco, divergência que segura a carga na alfândega e — no pior caso — pagamento para a conta errada. Quando há dúvida sobre um campo, o caminho mais seguro é confirmar com o fornecedor por escrito antes de fechar o câmbio.
Proforma e contrato de câmbio
Pra remeter pagamento ao exterior, o importador precisa fechar um contrato de câmbio com banco habilitado. A proforma invoice é o documento-base — sem ela, o banco não autoriza a remessa. O fluxo:
- Importador apresenta proforma ao banco. Junto com cartão CNPJ, contrato social, e ficha cadastral atualizada.
- Banco analisa. Verifica enquadramento (compra de mercadoria), valor, fornecedor, antecipação ou pagamento contra docs.
- Cliente cota a moeda (USD/EUR/CNY). Banco oferece taxa, cliente aceita ou negocia.
- Boleto ou TED de fechamento de câmbio. Cliente paga em real para o banco com base na taxa cotada.
- Banco emite contrato de câmbio. Documento que registra a operação no Banco Central (Sisbacen).
- Remessa ao exterior. Banco envia o equivalente em moeda estrangeira ao banco do exportador via SWIFT.
- Comprovante. Cliente recebe MT103 (mensagem SWIFT) — comprova que pagamento foi remetido.
⚠️ Validade da proforma e flutuação cambial
Se a proforma tem validade de 30 dias e o câmbio fecha 28 dias depois, o importador acumula risco cambial nesse intervalo. Operações mais sofisticadas usam NDF (Non-Deliverable Forward) ou termo de moeda pra travar a taxa entre proforma e fechamento. Em volumes acima de US$ 50k, o custo do hedge geralmente compensa.
5 erros que travam o desembaraço
- 1. Descrição genérica. “Eletronics”, “spare parts”, “general goods” — qualquer descrição que impeça classificação NCM única gera canal vermelho automático. Sempre detalhar: marca, modelo, material, função técnica.
- 2. Divergência de peso entre os 3 documentos. Commercial invoice diz 350kg, packing list diz 348kg, BL diz 352kg. Mais de 5% de divergência = retenção. Sempre auditar antes do embarque.
- 3. Valor da commercial invoice diferente do câmbio remetido. Caracteriza subfaturamento. Multa de 100% + perdimento. Confira sempre.
- 4. Datas inconsistentes. Commercial invoice emitida ANTES da proforma é flag de operação simulada. Sempre proforma → PO → commercial invoice (na produção/embarque).
- 5. Esquecer de exigir originais. Em operação L/C (carta de crédito), o banco exige commercial invoice original assinada — cópia colorida não vale. Sem original, banco não libera pagamento ao exportador, BL fica retido, contêiner não sai do porto.
- 6. NCM inconsistente entre proforma e DI. Pré-classificação errada na proforma + reclassificação na DI gera revisão fiscal. Sempre validar NCM com classificadora antes da proforma.
Sua próxima proforma auditada antes do embarque
Em 19 anos operando importação da China, montamos checklist documental específico pra cada NCM. Auditamos proforma, commercial invoice e packing list antes do embarque — eliminando 80% dos riscos de canal vermelho.
O que é diferente em fornecedor chinês
Importar da China tem peculiaridades documentais que valem atenção especial:
- Tradução chinês-inglês imprecisa. Muitos fornecedores chineses usam Google Translate na descrição da proforma. Expressões como “general industrial product” precisam ser refinadas com a equipe técnica deles antes de aceitar.
- HS Code chinês ≠ NCM brasileiro. Os 6 primeiros dígitos são padrão internacional; os últimos 2 são específicos do Brasil. Usar inteligência de mercado como o HeyShip ajuda a validar NCM correto antes da proforma virar definitiva.
- “Anjuna delivery” ou “to be discussed”. Fornecedores ainda inexperientes deixam campos abertos esperando negociar depois. Recuse — proforma com campos abertos não passa em câmbio brasileiro.
- Conta bancária do exportador em Hong Kong. Fornecedor opera em Shenzhen mas dá conta em Hong Kong. Permitido, mas precisa documentação extra pra justificar (Beneficial Owner Statement no banco BR). Algumas operações triangulares legítimas, outras red flag de evasão fiscal chinesa.
- Exigir CO (Certificate of Origin). Mesmo não sendo parte da proforma, o CO é documento crítico pra benefício tarifário ou rastreio anti-dumping. Pedir desde o pedido evita problema na hora do embarque.
Perguntas frequentes
O que é proforma invoice?
Proforma invoice é o documento comercial emitido pelo exportador antes do envio da mercadoria, com descrição detalhada da operação proposta — produto, preço, quantidade, incoterm e condições. Funciona como contrato comercial preliminar e base para o contrato de câmbio, mas não tem valor fiscal e não substitui a commercial invoice.
Qual a diferença entre proforma invoice e commercial invoice?
Proforma é orçamento formal — emitida antes do pedido, sem valor fiscal, usada para câmbio e pré-classificação. Commercial invoice é a fatura efetiva — emitida após produção, com valor fiscal, base de cálculo do II/IPI/ICMS, e acompanha o embarque. A proforma abre a operação; a commercial invoice fecha.
A proforma invoice tem valor fiscal?
Não. A proforma invoice não tem valor fiscal no Brasil — não é registrada no Siscomex, não substitui nota fiscal, não gera obrigação tributária. Funciona apenas como contrato comercial preliminar e documento-base para abrir o contrato de câmbio com o banco brasileiro.
Posso pagar contra proforma invoice?
Sim. A proforma é o documento padrão para abrir contrato de câmbio e fazer remessa ao exterior. Bancos habilitados aceitam a proforma como base, desde que ela contenha os 12 campos obrigatórios (especialmente CNPJ do importador, dados completos do exportador, NCM/HS Code e incoterm). Após o embarque, a commercial invoice efetiva substitui a proforma na contabilidade.
Quais campos são obrigatórios na proforma?
São 12 campos obrigatórios: número e data, exportador (razão social + endereço), importador (razão social + CNPJ), descrição da mercadoria, NCM/HS Code, quantidade e unidade, preço unitário e total, incoterm, porto de embarque, condições de pagamento, validade da proposta. Faltar qualquer um trava o contrato de câmbio no banco.
O que é packing list e quando é exigido?
Packing list é o documento que descreve fisicamente os volumes embarcados — número de cada caixa, dimensões, peso, marcação. É exigido em toda operação de importação por via marítima ou aérea. É anexado ao Bill of Lading e à commercial invoice e usado na vistoria do desembaraço para confirmar que o conteúdo físico bate com a fatura.
O que acontece se houver divergência entre proforma e commercial invoice?
Pequenas diferenças (até 5%) geralmente são aceitas. Diferenças maiores podem caracterizar subfaturamento — especialmente se o valor da commercial invoice for inferior ao valor pago via câmbio (com base na proforma). Multa: 100% sobre a diferença declarada + perdimento da carga em casos graves. Sempre confira: o valor remetido ao exterior deve ser exatamente igual ao da commercial invoice.
Como solicitar uma proforma invoice de fornecedor chinês?
Envie um RFQ (Request for Quotation) estruturado com especificação técnica completa, quantidade, prazo de entrega e incoterm desejado. O fornecedor retorna a proforma em 3-7 dias. Sempre exija os 12 campos obrigatórios — fornecedores chineses inexperientes deixam alguns abertos esperando negociar depois, mas isso trava o câmbio. Validade típica: 15-30 dias dependendo da volatilidade do produto.
Auditoria documental B2B feita por quem opera 6.000+ contêineres
Estruturamos proforma, commercial invoice, packing list e BL no padrão internacional — 19 anos · 5.000 empresas · escritórios em SP, Itajaí, Hong Kong, Yiwu e Lisboa. Reduza retrabalho, evite canal vermelho.
Sócio e Head of Growth da Guelcos International. Há mais de uma década entre Brasil e China — viveu em Shenzhen, estudou mandarim e estrutura operações de importação para empresas brasileiras. É também founder da HeyShip, primeiro BI de importação do Brasil.