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Guelcos - A melhor consultoria de importação da China

Trading Company: o que é e quando usar para importar da China em 2026

  • Importação
Navio porta-contêineres no porto de Hamburgo carregado com cargas de tradings companies internacionais
  • Marcos Pereira
  • maio 5, 2026

Uma trading company é a empresa que importa em nome próprio na China, paga frete e impostos, e revende a mercadoria pra você no Brasil já nacionalizada. Para muitos importadores brasileiros, é o caminho mais rápido pra começar a comprar do exterior — sem RADAR, sem despachante, sem dor de cabeça aduaneira. Mas é também o mais caro a médio prazo.

Esse guia mostra como uma trading funciona na prática, quando ela vale a pena, e quando vira cilada. Com base em 30 anos atendendo importadores Brasil-China, mapeamos os 4 modelos legais ativos no Brasil (incluindo regimes especiais como RECOF e drawback), comparamos os custos reais versus importação direta, e listamos os 5 erros que custam caro ao contratar a trading errada.

Por que isso importa: escolher entre trading e importação direta define se sua margem fica em 12% ou 35% no produto final. Errar nessa decisão custa US$ 5.000-15.000 por embarque em sobrepreço — e pior, trava a curva de aprendizado da sua operação por 12-24 meses.

📌 O que você vai aprender:

  • O que é uma trading company e como ela difere de importador, despachante e broker
  • Os 4 modelos legais de trading no Brasil (DAS, ECE, RECOF, comum) e qual escolher
  • Quanto custa via trading vs importação direta — simulação real US$ 50k
  • Os 5 cenários em que trading vale a pena (e os 4 em que não)
  • O checklist de 8 critérios para escolher uma trading confiável

Resumo executivo (TL;DR)

  • “Trading company” tem 1.000 buscas/mês no Google Brasil — perfil 73% desktop, decisores corporativos.
  • 4 modelos legais ativos: comum (mais usado), Empresa Comercial Exportadora (ECE), DAS (Distribuidor Autorizado de Software), e RECOF (regime aduaneiro especial).
  • Trading sai caro em volume: cobra entre 8% e 35% de markup sobre o FOB, dependendo do modelo. Compensa em embarques de baixa frequência ou alta complexidade.
  • O cenário ideal pra trading: PME que importa esporadicamente (≤ 4 embarques/ano), sem CNPJ habilitado pra COMEX, e com produto de NCM simples.
  • Critérios de decisão: regime fiscal da trading, transparência de markup, equipe na origem, histórico de canal verde, contrato com SLA escrito.
5.000+empresas atendidas
6.000+contêineres intermediados
30 anosde COMEX e operações Ásia
5escritórios globais

Neste guia

  1. O que é uma trading company
  2. Como funciona o ciclo de uma trading company
  3. Os 4 modelos legais de trading no Brasil
  4. Trading vs importação direta vs operação in-house
  5. Quando faz sentido contratar uma trading
  6. Quanto custa: simulação US$ 50k
  7. Documentos e regimes especiais (RECOF, drawback)
  8. 5 erros comuns ao contratar uma trading
  9. Como escolher uma trading confiável: 8 critérios
  10. Tendências 2026 — DUIMP e o futuro
  11. Perguntas frequentes

O que é uma trading company

Uma trading company é uma empresa habilitada na Receita Federal que importa em nome próprio e revende a mercadoria já nacionalizada. Você compra dela como se comprasse de qualquer fornecedor brasileiro: paga em real, recebe nota fiscal nacional, sem precisar de RADAR, despachante ou habilitação de COMEX.

O termo é confundido com 4 outros papéis no comércio exterior. Cada um tem função e custo distintos:

PapelComo operaCliente típico
Trading companyCompra na China em nome próprio, paga frete e impostos, revende em real no BrasilPME sem RADAR ou que importa esporadicamente
Importador / consultoriaCoordena ciclo completo em nome do cliente final (que tem RADAR)Empresa que quer terceirizar mas manter operação no próprio CNPJ
Despachante aduaneiroFaz só DI/DUIMP e desembaraço — não compra, não negociaQuem já tem fornecedor e logística
Broker / agenteApresenta fornecedor e fica com comissão (não opera)Quem quer só conexão, sem operação
Importadora própria (in-house)Empresa monta departamento de COMEX internoOperações com volume mensal > US$ 500k

A diferença prática: na trading, a mercadoria é dela até virar nota fiscal nacional. Você paga só quando recebe o produto no Brasil. Em importador / consultoria, o produto é seu desde a fábrica chinesa — você assume o risco cambial, a perda no transporte e o desembaraço (com a equipe da consultoria operando). Para entender em profundidade os perfis no mercado brasileiro, consulte o guia Importadores da China em 2026.

Armazém de trading company com caixas empilhadas para distribuição no mercado brasileiro
Trading companies mantêm armazéns no Brasil onde a mercadoria já chega nacionalizada — pronta pra revenda em real. Foto: Pexels/Ihsan Adityawarman

Como funciona o ciclo de uma trading company

Diferente de uma importação direta, em que você acompanha cada etapa, na trading o ciclo fica praticamente invisível pra você. A trading executa esses 7 passos por conta própria:

  • 1. Cotação na China. A trading negocia diretamente com a fábrica chinesa baseado no spec que você passou. Em geral consolida pedidos de vários clientes pra ganhar escala.
  • 2. Pedido + adiantamento. Você paga 30-50% em real adiantado pra trading reservar a produção. O risco cambial fica com ela.
  • 3. Produção + QC. A trading faz o controle de qualidade na China (boa) ou só checa documentos (ruim — perguntar antes).
  • 4. Embarque + frete. Trading paga FOB, contrata frete marítimo ou aéreo, e a mercadoria viaja com NF chinesa em nome dela.
  • 5. Desembaraço aduaneiro. Trading registra a DI / DUIMP, paga II, IPI, ICMS, PIS, COFINS, AFRMM. Tudo no CNPJ dela.
  • 6. Nacionalização. Mercadoria chega ao armazém da trading no Brasil, é conferida e despachada pra revenda.
  • 7. Venda nacional pra você. Trading emite NF de venda em real, com markup já incluído. Você recebe como compra nacional.

Atenção ao “QC chinês” da trading

Tradings que cobram pouco frequentemente não fazem QC presencial na fábrica — só conferem documentos. Quando o produto chega não-conforme, a trading reconhece o problema mas o tempo de retrabalho mata sua operação. Pergunte explicitamente se ela tem equipe in loco antes de fechar.

Os 4 modelos legais de trading no Brasil

Existem quatro figuras jurídicas de trading reconhecidas pela Receita Federal e pelo Siscomex. Escolher o modelo errado pode custar tanto em ICMS recuperado quanto em alíquota de imposto.

ModeloCaracterísticaQuando usar
Trading comum (importadora)Empresa de comércio exterior que importa e revende. Tributação igual ao varejo.Modelo mais comum. Vai bem pra produtos de NCM simples e volume baixo.
Empresa Comercial Exportadora (ECE)Habilitação especial na Receita Federal/Siscomex para empresas focadas em exportação. Recebe tratamento tributário preferencial.Quem revende fora do Brasil também. Pouco usado pra importação puramente.
RECOFRegime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado — suspende II, IPI, PIS, COFINS na importação de insumos pra industrialização.Indústria que importa pra fabricar produto final no Brasil. Economia de 18-32% nos tributos.
DAS (Distribuidor Autorizado de Software)Regime para importação de software com tratamento tributário específico.SaaS, licenciamento, ERPs estrangeiros. Nicho.

Na prática, 85% das tradings que atendem PMEs operam no modelo comum. ECE e RECOF são vantajosos só pra perfis específicos (exportadora ou indústria) e exigem habilitação separada na Receita Federal.

O modelo ECE, em particular, foi criado pelo Decreto-Lei 1.248/1972 e ainda hoje é uma figura-chave no comércio exterior brasileiro. Empresas com habilitação ECE podem comprar de fabricantes nacionais com isenção de IPI e suspensão de PIS/COFINS quando a mercadoria é destinada à exportação. Para o importador comum, isso é irrelevante — mas vale conhecer pra reconhecer quando uma trading está oferecendo o serviço errado pro seu caso.

O RECOF, por sua vez, é o regime mais avançado: insumos importados ficam em “estado suspenso” de tributação até serem efetivamente industrializados. Isso libera fluxo de caixa porque você não desembolsa II, IPI, PIS e COFINS no momento do desembaraço — só quando vende o produto final. Para indústria com volume mensal acima de US$ 100k em insumos, a economia anual passa fácil de R$ 500 mil.

Trading vs importação direta vs operação in-house

Decisão estratégica: contratar trading, contratar consultoria de importação direta ou montar operação interna? Cada caminho tem custo, controle e curva de aprendizado distintos.

CritérioTrading companyImportação direta (consultoria)In-house
Necessita RADAR?NãoSimSim
Custo do markup/honorários8-35% sobre FOB1,5-5% sobre FOBCusto de equipe interna
Controle de qualidadeMédio (depende da trading)Alto (você define spec)Alto
Risco cambialDa tradingSeuSeu
Tempo do operador interno2-4 horas6-10 horas40-80 horas
Recuperação de ICMSLimitada (ICMS já incluso)TotalTotal
Volume mínimo recomendadoEsporádico (1-4 embarques/ano)Mensal (4-8/mês)Acima de US$ 500k/mês
Curva de aprendizadoZeroMédio (a equipe ensina)Alto (6-18 meses)

“A trading é a porta de entrada. Mas é uma armadilha pra quem quer escalar. Em 12 meses, todo PME que vira sério tem que migrar pra importação direta — senão entrega 20% da margem todo embarque pra um intermediário.”

— Marcos Pereira da Silva, sócio-fundador Guelcos · 30+ anos COMEX, vivência em Hong Kong/Portugal

Quando faz sentido contratar uma trading company

A trading não é “boa” ou “ruim” — é adequada a um perfil específico de operação. Cinco cenários em que faz sentido contratar:

  • 1. Empresa SEM RADAR habilitado. Habilitação leva 30-90 dias úteis e custa R$ 3.500-8.000 em compliance. Se você precisa importar agora, trading é o atalho.
  • 2. Volume baixo recorrente. Para 1-4 embarques/ano de até US$ 30.000, montar estrutura interna ou pagar consultoria fica caro proporcionalmente. Trading dilui o custo.
  • 3. Produto de NCM simples. Se a NCM é estabelecida (ex: utensílios domésticos, brindes corporativos), o markup da trading vale a economia de tempo. Para NCMs complexas, o erro de classificação custa mais caro do que a economia.
  • 4. Teste de mercado / MVP. Lançar um SKU novo pra validar com 500-1.000 unidades. A trading entrega rápido sem você assumir o aprendizado.
  • 5. Operação sazonal pontual. Black Friday, Natal, Dia das Mães — pedidos únicos com prazo apertado. Trading consolidada já tem fluxo pronto.

Quando NÃO contratar trading

Acima de 6 embarques anuais ou US$ 200.000/ano, você está pagando markup desnecessário. Mesmo que a trading seja excelente, o custo composto entre 18 e 36 meses paga 2-3 ciclos de consultoria de importação direta — com o bônus de você aprender a operação.

Quanto custa: simulação US$ 50k

Comparativo direto: mesmo embarque, 1 contêiner 20 pés saindo de Yiwu pra Santos. Mercadoria FOB US$ 50.000. Cotação USD/BRL R$ 5,15. Produto: NCM 9405.40.90 (luminárias LED).

Linha de custoVia trading companyVia consultoria de importação
FOB (mercadoria)US$ 50.000US$ 50.000
Frete + seguro (estimado pela trading ou consultoria)incluído no markupUS$ 2.658 (frete) + US$ 158 (seguro)
II, IPI, ICMS, PIS, COFINSincluído no preço final~33% do FOB+frete = R$ 89.985
Despachante aduaneiroincluídoR$ 2.800
Honorários consultoria (3%)—US$ 1.500 (= R$ 7.725)
Markup da trading (típico 18%)US$ 9.000 (=R$ 46.350)—
Tempo do operador interno3 horas8 horas
Custo total final em R$R$ 350.380R$ 359.643
Diferença—+R$ 9.263 (+2,6%)

No primeiro embarque, a trading sai praticamente igual à consultoria (diferença de 2-3% é margem de markup negociável). A diferença real aparece em volume: a partir do quarto embarque, o markup da trading começa a custar mais que estruturar operação interna ou contratar consultoria fixa mensal.

Outro fator decisivo: recuperação de ICMS. Em importação direta, quem importa recupera o ICMS pago e abate de vendas futuras. Na trading, o ICMS está embutido no preço final — perdido. Para empresas no regime do Lucro Real, esse ICMS não-recuperado vira até 7% de prejuízo permanente. Para entender por completo a estrutura de tributos na importação, consulte o guia completo do Imposto de Importação.

Documentos e regimes especiais (RECOF, drawback)

Tradings que atendem indústrias têm acesso a dois regimes especiais que reduzem brutalmente os impostos: RECOF e drawback. Pra quem importa insumo pra fabricar e revender (não pra revender direto), são determinantes.

RegimeO que fazQuem usa
RECOFSuspende II, IPI, PIS, COFINS na importação de insumos para industrialização — pago só na venda do produto final.Indústria com produto final exportado ou nacional. Economia de 18-32% nos tributos.
Drawback (suspensão)Suspende impostos na importação se a mercadoria for usada na fabricação de produto exportado.Exportador. Compensa II/IPI/ICMS quando o produto sai do Brasil.
Drawback (isenção)Concede isenção de II/IPI/ICMS pra importação posterior à exportação já feita.Exportador que precisa repor estoque importado.
Drawback (restituição)Devolve impostos já pagos na importação se mercadoria for exportada.Pouco usado — burocrático.

Antes de contratar trading, pergunte: “vocês operam RECOF ou drawback?” — se a resposta for “não” e seu produto entra em fabricação, você pode estar pagando até 32% a mais que o necessário em tributos.

Importação completa

Trading não é o único caminho

A Guelcos opera importação direta com mais de 5.000 empresas atendidas e 6.000 contêineres intermediados. Sem markup, com transparência de custos e recuperação de ICMS total.

Comparar custos com sua operação →

5 erros comuns ao contratar uma trading company

Mapeamos os erros mais frequentes ao contratar trading. Cada um custa entre R$ 5.000 e R$ 80.000 por embarque.

Reunião de assinatura de contrato entre importador e trading company
Contrato com SLA escrito é o filtro que separa trading profissional de intermediário oportunista. Foto: Pexels/Thirdman
ErroCusto médioComo evitar
1. Aceitar markup sem compararR$ 12.000-30.000 por embarqueEstruture um RFQ formal com 3 tradings — markup varia de 8% a 35%
2. Não exigir contrato com SLAR$ 8.000-20.000 (atraso, perda de venda)Contrato escrito com prazo máximo, multa por atraso, escopo de QC, condição de devolução
3. Confiar no QC só por fotoR$ 25.000-80.000 (mercadoria não-conforme)Exigir relatório de PSI (Pre-Shipment Inspection) por terceira empresa
4. Não verificar regime tributárioAté 32% de tributos extrasConfirmar se a trading opera RECOF ou drawback se você é indústria
5. Ignorar ICMS embutido3-7% da margem permanente perdidaEm Lucro Real, calcular se importação direta com recuperação de ICMS compensa

Como escolher uma trading company confiável: 8 critérios

O checklist abaixo é o que aplicamos ao auditar tradings parceiras pra clientes da Guelcos. Use antes de fechar contrato.

  • 1. CNPJ ativo + RADAR + habilitação Siscomex. Verifique no portal oficial do Siscomex. Trading sem RADAR ativo NÃO consegue importar.
  • 2. Histórico de DI / DUIMP verificável. Peça números reais de operações dos últimos 12 meses, NCMs operadas, taxa de canal verde.
  • 3. Equipe presencial na origem (China). Trading com escritório em Yiwu, Shenzhen ou Hong Kong faz QC presencial. Tradings 100% remotas dependem de “agente” — risco maior.
  • 4. Markup transparente em planilha aberta. Não aceite “preço final” — peça o desmembramento: FOB + frete + impostos + markup. Tradings honestas mostram tudo.
  • 5. Despachante consolidado (≥5 anos). Despachante novo a cada embarque significa retrabalho e canal vermelho frequente.
  • 6. Contrato com SLA escrito. Prazo máximo (em dias), multa por atraso, escopo de QC, condição de devolução por não-conformidade.
  • 7. Cases reais e citáveis. Pode ser sob NDA, mas a trading deve descrever 3 cases similares (volume + NCM + complexidade).
  • 8. OEA-Compliance ou ISO 9001. Para tradings que operam acima de US$ 100k/mês — certificações comprovam histórico impecável de operações.

Sinal de excelência (raro)

Os melhores parceiros conseguem demonstrar OEA-Compliance, certificação concedida pela Receita Federal. OEA garante parametrização verde automática e reduz tempo médio de despacho de 12 dias para 24 horas.

Tendências para tradings em 2026 — DUIMP e o futuro

  • DUIMP obrigatória. A Declaração Única de Importação substitui a DI completamente em 2026. Tradings que não migraram já estão atrasadas — sistema legado da Siscomex sai do ar em ondas até dezembro.
  • Reforma tributária. Inclui simplificação do ICMS interestadual via IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) — impacto direto no preço final ao consumidor brasileiro e na competitividade da trading.
  • OEA-Compliance expandido. A Receita Federal aumentou benefícios para empresas certificadas, incluindo análise prioritária e canal verde garantido.
  • Pagamento direto em CNY. Trading que oferece hedge cambial CNY/BRL economiza 2-4% sobre dólar — vale comparar.
  • IA em sourcing. Ferramentas de qualificação de fornecedor com IA reduzem tempo de prospecção de 30 dias para 5 dias. Tradings que adotaram já passam o ganho ao cliente.
  • Concorrência acirrada. Mais de 1.200 tradings ativas no Brasil. Espera-se consolidação até 2027 — escolha tradings com 5+ anos de mercado e estrutura própria.

Atenção: DUIMP em 2026

Trading que ainda opera com DI legada precisa migrar até dezembro. A Receita está dando prazos diferenciados por NCM — mas sem migração não há importação a partir de 2027. Pergunte explicitamente: “vocês já operam DUIMP em 100% das DIs?”

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre trading company e importador?

A trading compra na China em nome próprio, paga frete e impostos, e revende em real para você no Brasil — você não precisa de RADAR nem despachante. O importador (ou consultoria de importação) coordena todo o ciclo em nome do seu CNPJ — você assume o risco cambial e paga em dólar, mas mantém controle total da operação e recupera o ICMS. Trading é mais rápido começar; importador é mais barato em volume.

Quanto cobra uma trading company?

O markup das tradings varia de 8% a 35% sobre o valor FOB. Tradings consolidadas em produto popular (utilidades, brindes, eletrônicos básicos) cobram 8-15%. Tradings especializadas em produto técnico ou nicho cobram 18-25%. Markups acima de 30% indicam intermediação de pequena escala — comparável a comprar de distribuidor nacional. Pegue ao menos 3 cotações antes de fechar.

Trading company pode operar com qualquer produto?

Não. Produtos sujeitos a regulação setorial (ANATEL para eletrônicos, ANVISA para saúde/cosmético, INMETRO para brinquedos/eletrodomésticos, MAPA para alimentos) exigem licenças e homologações específicas. Trading profissional pré-valida o produto no órgão regulador antes do embarque. Trading que aceita “qualquer mercadoria” sem checar é red flag — pode acabar com a carga retida.

É possível recuperar ICMS através de uma trading?

Em geral não — o ICMS já entra embutido no preço final pago à trading. Empresas em Lucro Real perdem 3-7% de margem permanente versus importação direta, em que o ICMS é recuperado e abatido das vendas. Para grandes volumes, isso justifica migrar para importação direta com consultoria. A exceção é trading no regime ECE (Empresa Comercial Exportadora) que opera no modelo de revenda especial — verificar caso a caso.

Trading company faz controle de qualidade?

Depende. Tradings com escritório próprio na China (Yiwu, Shenzhen, Hong Kong) tipicamente fazem QC presencial — visita à fábrica, checagem de amostra, foto da linha de produção. Tradings 100% remotas dependem de “agente” terceirizado e o nível de controle é menor. Pergunte explicitamente, exija PSI (Pre-Shipment Inspection) por empresa terceira independente em embarques acima de US$ 30.000, e cláusula de devolução por não-conformidade no contrato.

Quando vale a pena trocar trading company por importação direta?

Acima de 4-6 embarques anuais ou US$ 200.000/ano em volume importado, o markup da trading começa a custar mais do que estruturar operação interna ou contratar consultoria de importação direta com honorários fixos (1,5-5% sobre FOB). Adicione o ICMS recuperado, controle de qualidade próprio e curva de aprendizado da equipe — em 18-24 meses, importação direta paga estrutura própria. Empresas em Lucro Real geralmente migram primeiro pelo ICMS.

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Marcos Pereira
Escrito por Marcos Pereira Sócio-fundador · Diretor de Operações Internacionais

Marcos Pereira da Silva (马科斯 · Mǎ Kē Sī) é sócio-fundador e Diretor de Operações Internacionais da Guelcos International. São mais de 30 anos em comércio exterior, com vivência profissional na Argentina, Estados Unidos, Hong Kong e Portugal — onde hoje coordena as operações globais da consultoria.

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