Se você vai à China a negócios — visitar a Canton Fair, conhecer fábricas em Yiwu ou fechar com fornecedores — a primeira pergunta é sempre a mesma: preciso de visto? A resposta mudou (e a seu favor): desde 2024, brasileiros estão isentos de visto para a China em estadias de até 30 dias, válido para turismo, negócios, visitas e trânsito. Essa isenção está em vigor até 31 de dezembro de 2026.
Na prática, isso significa que a maioria das viagens de negócios à China — que raramente passam de duas ou três semanas — dispensa qualquer pedido de visto. Mas há exceções importantes: estadias acima de 30 dias, trabalho, estudo e alguns propósitos específicos ainda exigem visto. Este guia explica quando o brasileiro precisa (e quando não precisa) de visto para a China em 2026, os tipos de visto, como tirar passo a passo, quanto custa e os cuidados para a viagem de negócios.
Importante separar dois cenários desde já. O primeiro é a viagem curta — ir à feira, conhecer fornecedores, auditar uma fábrica — que hoje, para o brasileiro, é praticamente livre de burocracia de visto. O segundo é a permanência longa ou com vínculo — montar uma operação na China, trabalhar, estudar — em que o visto não só é exigido como exige planejamento e documentação específica. Confundir os dois é o erro que faz o viajante perder tempo no consulado quando não precisaria, ou embarcar sem o visto certo quando precisaria. Ao longo do guia, deixamos claro em qual cenário cada regra se aplica.
⚠️ Política temporária — confirme antes de viajar
A isenção de visto de 30 dias para brasileiros é uma medida unilateral da China com validade até 31/12/2026 (já foi prorrogada uma vez). Regras de imigração mudam — sempre confirme as condições atuais na Embaixada/Consulado da China ou na companhia aérea antes de comprar a passagem.
📌 O que você vai aprender
- Se o brasileiro precisa de visto para a China em 2026
- Como funciona a isenção de 30 dias e até quando vale
- Os tipos de visto (L, M, Q, Z, X) e quando cada um é exigido
- Como tirar o visto passo a passo, documentos, custo e prazo
- Se precisa de visto para a Canton Fair e visitas a fábricas
Resumo executivo (TL;DR)
- Isenção até 30 dias: brasileiros não precisam de visto para estadias de até 30 dias (turismo, negócios, visita, trânsito), válida até 31/12/2026.
- Quando precisa de visto: estadias acima de 30 dias, trabalho (Z), estudo (X) ou propósitos específicos exigem visto correspondente.
- Tipos principais: L (turismo), M (negócios/comércio), Q (visita a familiares), Z (trabalho), X (estudo).
- Custo e prazo: visto de entrada única em torno de R$ 475, com prazo de alguns dias úteis (mais rápido no serviço expresso).
- Para negócios: a viagem típica à Canton Fair ou a fábricas (1-3 semanas) está coberta pela isenção — basta passaporte válido por 6+ meses e comprovantes de saída/hospedagem.
Brasileiro precisa de visto para a China em 2026?
Para a maioria das viagens, não. Desde 2024 a China concede aos brasileiros isenção de visto para estadias de até 30 dias, abrangendo turismo, negócios, visitas a familiares e trânsito. A medida foi prorrogada e está válida até 31 de dezembro de 2026. Ou seja: se sua viagem à China dura menos de um mês e tem um desses propósitos, você embarca apenas com o passaporte.
Isso é uma mudança enorme para o importador brasileiro. Antes, ir à Canton Fair ou visitar fábricas exigia agendar o visto no consulado com antecedência, pagar a taxa e torcer pelo prazo. Hoje, a viagem de negócios padrão — que costuma durar de uma a três semanas — está totalmente coberta pela isenção. O visto só volta a ser obrigatório em situações específicas, que detalhamos adiante.
A isenção faz parte de um movimento mais amplo da China de abrir as portas a viajantes de negócios e turistas após os anos de fechamento da pandemia. O país ampliou a lista de nações com isenção, estendeu prazos de trânsito sem visto e simplificou processos — tudo para reaquecer o comércio e o turismo. Para o Brasil, que é um dos maiores parceiros comerciais da China, a medida reduz drasticamente o atrito de quem precisa ir à origem validar fornecedores, negociar e acompanhar a produção de perto.
Como funciona a isenção de 30 dias e até quando vale?
A isenção permite a entrada na China sem visto para uma estadia de até 30 dias por entrada. Os propósitos cobertos são turismo, negócios (reuniões, feiras, visitas comerciais), visita a familiares e amigos, intercâmbio cultural e trânsito. Para usá-la, o viajante precisa atender a requisitos básicos:
- Passaporte válido por pelo menos 6 meses a partir da data de entrada.
- Comprovante de saída do país dentro do prazo (passagem de volta ou de continuação).
- Comprovante de hospedagem ou endereço de permanência na China.
- Propósito compatível com os permitidos (negócios e turismo entram; trabalho remunerado, não).
O ponto a fixar: a isenção é uma política temporária e unilateral da China, com data de validade (31/12/2026) e sujeita a prorrogação ou alteração. Por isso, mesmo dispensando o visto, vale confirmar as condições vigentes na embaixada ou na companhia aérea antes de viajar — regras de imigração podem mudar de um ano para o outro.
Quando o brasileiro ainda precisa de visto?
A isenção não cobre tudo. Você ainda precisa solicitar visto se sua viagem se encaixar em algum destes casos:
Situações que exigem visto mesmo com a isenção em vigor
- Estadia acima de 30 dias. Passou do limite por entrada? Precisa de visto.
- Trabalho remunerado na China (visto Z). Atuar profissionalmente, ser contratado por empresa chinesa.
- Estudo / intercâmbio longo (visto X). Cursos e programas acadêmicos acima do período de isenção.
- Residência ou permanência prolongada. Morar, abrir empresa com presença contínua, etc.
- Propósitos fora da lista isenta (ex: jornalismo, alguns tipos de missão oficial).
Para o importador, a regra é simples: viagem curta de prospecção, feira ou auditoria de fábrica → isenção. Mudança para a China, estágio longo em fornecedor ou trabalho formal → visto. Na dúvida sobre o enquadramento, o consulado é a fonte oficial.
Quais os tipos de visto para a China?
Quando o visto é necessário, ele tem uma categoria conforme o propósito da viagem. As principais para quem viaja a negócios ou turismo:
| Tipo | Propósito | Quem usa |
|---|---|---|
| L | Turismo | Viagem de lazer acima de 30 dias |
| M | Negócios e comércio | Atividades comerciais, feiras, reuniões longas |
| F | Intercâmbio / visita não comercial | Visitas culturais, científicas, educacionais |
| Q | Visita a familiares | Parentes de cidadãos ou residentes chineses |
| Z | Trabalho | Profissional contratado para trabalhar na China |
| X | Estudo | Estudantes em programas acadêmicos |
Para o empresário que precisa de visto por exceder os 30 dias ou por atividade comercial intensa, o visto M (negócios) é o mais comum. Ele normalmente exige uma carta-convite de uma empresa chinesa — algo que um parceiro local consegue providenciar com facilidade.
Cada visto ainda tem três variáveis que definem o uso: número de entradas (única, dupla ou múltipla), validade (período em que pode ser usado, de meses a anos) e duração de cada estadia (quantos dias por entrada). Quem viaja com frequência à China a negócios costuma buscar o visto M de múltiplas entradas e validade longa, evitando refazer o pedido a cada viagem. A combinação certa depende do seu padrão de viagem — e o consulado define o que conceder com base na documentação apresentada.
Como tirar o visto para a China (passo a passo)?
Se a sua situação exige visto, o processo é feito pelo Centro de Solicitação de Visto da China (CVASC) ou pelo consulado. O passo a passo padrão:
- Identificar o tipo de visto correto conforme o propósito (M para negócios, L para turismo longo, etc.).
- Preencher o formulário oficial online de solicitação de visto, com os dados da viagem.
- Reunir a documentação exigida (passaporte, foto, comprovantes, carta-convite quando aplicável).
- Agendar e comparecer ao centro de visto (CVASC) para entrega dos documentos e coleta de biometria.
- Pagar a taxa do visto conforme o número de entradas e a urgência escolhida.
- Acompanhar e retirar o passaporte com o visto, no prazo informado (normal ou expresso).
O detalhe que mais atrasa pedidos é documentação incompleta — especialmente a carta-convite no visto de negócios. Por isso, organizar tudo antes de agendar o atendimento economiza uma ida a mais ao centro de visto. Na carta-convite do visto M, o convite parte de uma empresa registrada na China, informando o propósito da visita, as datas e a relação comercial — exatamente o tipo de documento que um parceiro com operação local emite rapidamente, evitando que o pedido emperre por falta de respaldo do lado chinês.
Quais documentos são necessários?
Para a viagem com isenção (até 30 dias), o essencial é passaporte válido por 6+ meses, comprovante de saída (passagem) e de hospedagem. Já para a solicitação formal de visto, a lista é mais longa:
- Passaporte válido por pelo menos 6 meses, com páginas em branco.
- Formulário de solicitação preenchido e assinado.
- Foto recente no padrão exigido (fundo branco).
- Passagens aéreas de ida e volta (ou itinerário).
- Reserva de hospedagem para todo o período.
- Carta-convite de empresa chinesa (visto M de negócios) ou comprovantes correspondentes ao tipo de visto.
- Comprovante de vínculo e renda no Brasil, quando solicitado.
Quanto custa e quanto tempo demora o visto?
O custo varia conforme o número de entradas (única, dupla ou múltipla) e a urgência. Para entrada única, o valor em 2026 fica em torno de R$ 475, podendo subir com serviço expresso e taxas do centro de solicitação. O prazo padrão de processamento é de alguns dias úteis, com opções mais rápidas pagando a mais.
Vale lembrar: com a isenção de 30 dias em vigor até o fim de 2026, a maioria dos importadores não terá esse custo nem esse prazo para a viagem de negócios típica. O gasto com visto só entra na conta de quem vai ficar mais de um mês ou se enquadra nas exceções.
Mesmo sem o custo do visto, vale orçar a viagem com antecedência: passagens para a China oscilam bastante de preço conforme a época — e os períodos de feira, como a Canton Fair, encarecem voos e hotéis na região de Cantão. Reservar com semanas de antecedência e considerar voar para um aeroporto próximo (Hong Kong, por exemplo) costuma render economia relevante na conta total da missão.
Preciso de visto para a Canton Fair ou para visitar fábricas?
Esta é a dúvida número um de quem importa — e a resposta é a melhor possível: para a viagem padrão à Canton Fair ou a visitas de fábrica, não é preciso visto, desde que a estadia não passe de 30 dias e ocorra dentro da vigência da isenção (até 31/12/2026). A Canton Fair tem três fases que somam cerca de um mês, mas o importador raramente fica todas — costuma ir à fase relevante para o seu setor, de poucos dias a duas semanas.
Atenção a um caso de borda: se o seu plano é emendar as três fases da Canton Fair com semanas de visitas a fornecedores e passar dos 30 dias na China continental, aí sim o visto volta à mesa. Nesse cenário, ou você fraciona a viagem (com uma saída e reentrada, respeitando as regras de imigração), ou solicita o visto M de negócios antes de embarcar. Para a esmagadora maioria das missões, porém, o prazo de 30 dias é mais que suficiente.
Se você está planejando a missão, vale combinar a ida à feira com visitas a fornecedores e a inspeção de fábricas no mesmo período, aproveitando a viagem. Para planejar a agenda, datas e logística, veja nossos guias da Canton Fair, do mercado de Yiwu e o panorama das feiras da China em 2026.
“A isenção de visto tirou a maior barreira de quem nunca tinha ido à China. Hoje o importador decide ir à Canton Fair e em uma semana está embarcando, só com o passaporte. O que faz a diferença na viagem não é mais o visto — é ter uma agenda de fornecedores montada antes de pisar lá.”
— Vinicius · Growth e Canton Fair · Guelcos
Trânsito sem visto: como funciona?
Além da isenção de 30 dias para brasileiros, a China mantém políticas de trânsito sem visto para passageiros em conexão a um terceiro país. Em diversos aeroportos (como Pequim, Xangai e Guangzhou), é possível permanecer por um período de trânsito sem solicitar visto, desde que se comprove a continuação da viagem. A província de Hainan também tem regra própria de entrada sem visto.
Para o brasileiro, porém, o trânsito sem visto perdeu relevância prática enquanto a isenção de 30 dias estiver valendo — afinal, ela já cobre a entrada normal no país. O trânsito sem visto fica como alternativa para casos muito específicos de conexão, ou para quando a isenção de 30 dias não se aplicar. Vale notar que a China também ampliou recentemente o prazo de trânsito sem visto em vários portos de entrada, parte do mesmo esforço de facilitar a chegada de viajantes internacionais — mais um sinal de que o país está abrindo as portas ao comércio e aos negócios.
Hong Kong e Macau: preciso de visto separado?
Aqui mora uma confusão comum do importador. Hong Kong e Macau são Regiões Administrativas Especiais da China, com regras de imigração próprias e independentes da China continental. Na prática, isso significa três sistemas distintos:
| Destino | Regra para brasileiros | Observação |
|---|---|---|
| China continental | Isenção até 30 dias (até 31/12/2026) | Inclui Cantão/Guangzhou, Yiwu, Shenzhen, Shanghai |
| Hong Kong | Isenção de visto (estadias de turismo/negócios) | Sistema de imigração próprio |
| Macau | Isenção de visto (estadias de turismo/negócios) | Sistema de imigração próprio |
O detalhe operacional: cruzar de Hong Kong para a China continental (ou vice-versa) conta como uma nova entrada em cada território. Se você desembarca em Hong Kong — onde a Guelcos tem escritório próprio — e depois segue para Shenzhen ou Cantão, está fazendo duas entradas em dois sistemas diferentes, cada uma com sua contagem de prazo. Para a logística de uma viagem que combina HK e o continente, isso precisa entrar no planejamento, especialmente se a estadia total for longa.
Dicas para a viagem de negócios à China
- Passaporte com folga de validade. Garanta 6+ meses e páginas em branco antes de marcar a viagem.
- Agenda montada antes de embarcar. Feira, fornecedores e inspeções definidos — a viagem rende muito mais com roteiro pronto.
- Apps e pagamentos locais. WeChat e Alipay são quase obrigatórios; deixe configurados antes de chegar.
- Internet e tradução. Tenha VPN e app de tradução prontos — muitos serviços ocidentais são bloqueados na China.
- Apoio local. Um parceiro com escritório na China resolve carta-convite, intérprete, transporte e agenda — e transforma a viagem em resultado.
- Cartões e dinheiro. Leve algum yuan em espécie e cartões internacionais; nem todo estabelecimento aceita cartão estrangeiro, e os apps locais resolvem o resto.
Vai à China conhecer fornecedores ou à Canton Fair e quer uma agenda de fábricas validadas esperando por você? Conheça a imersão guiada da Guelcos e aproveite a viagem ao máximo.
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Perguntas frequentes
Brasileiro precisa de visto para a China em 2026?
Para estadias de até 30 dias (turismo, negócios, visita ou trânsito), não. A China concede isenção de visto a brasileiros até 31 de dezembro de 2026. Acima de 30 dias, ou para trabalho e estudo, o visto continua obrigatório.
Preciso de visto para ir à Canton Fair?
Não, para a viagem padrão. Como a maioria das idas à Canton Fair dura de poucos dias a duas semanas, a viagem está coberta pela isenção de 30 dias — basta passaporte válido por 6+ meses e comprovantes de saída e hospedagem.
Quanto custa o visto para a China?
Quando necessário, o visto de entrada única fica em torno de R$ 475 em 2026, variando conforme o número de entradas e a urgência (o serviço expresso custa mais). Com a isenção de 30 dias, a maioria das viagens de negócios não tem esse custo.
Qual a diferença entre o visto L e o visto M?
O visto L é para turismo; o visto M é para negócios e atividades comerciais (reuniões, feiras, visitas a fornecedores). Para o empresário que precisa de visto por exceder 30 dias, o M é o mais indicado e costuma exigir carta-convite de empresa chinesa.
Quais documentos preciso para entrar na China sem visto?
Passaporte válido por pelo menos 6 meses, comprovante de saída do país dentro do prazo de 30 dias (passagem de volta ou de continuação) e comprovante de hospedagem. O propósito deve ser um dos cobertos pela isenção (turismo, negócios, visita ou trânsito).
A isenção de visto é permanente?
Não. É uma política unilateral e temporária da China, válida até 31 de dezembro de 2026 (já prorrogada uma vez). Por ser sujeita a mudança, confirme sempre as regras vigentes na Embaixada/Consulado da China ou na companhia aérea antes de viajar.
Sócio e Head of Growth da Guelcos International. Há mais de uma década entre Brasil e China — viveu em Shenzhen, estudou mandarim e estrutura operações de importação para empresas brasileiras. É também founder da HeyShip, primeiro BI de importação do Brasil.