Falta de containers e os desafios da logística na importação

Os efeitos da crise gerada pela pandemia, mesmo após um ano e meio, ainda afetam as importações da China para o Brasil. Mas para quem precisa importar insumos e produtos, quais os desafios da logística com a falta de containers para transporte marítimo e como driblar essa crise com o menor impacto para o varejo e indústria?

Confira agora um panorama completo e atual sobre como a falta de containers afeta a importação, quais são os principais desafios de planejamento na área de logística e tendências para os próximos meses.

Aqui você verá:

1. Por que a produção de containers foi reduzida e quando ela será normalizada

Trabalhadores rurais de vários setores, como algodão e carne, apontaram um problema nos últimos meses relacionado ao frete caro e a perda de oportunidades por conta da demora no envio de mercadoria, o que foi motivado pela demanda crescente de grandes continentes exportadores, como Ásia, Estados Unidos e Europa.

Com o retorno das atividades comerciais depois de meses de paralisação por conta dos protocolos para evitar o contágio do Coronavírus, o preço dos fretes aumentou, com o traslado de mercadorias por containers e navios que estavam preparados para voltar à ativa. Logo, com os fretes altos, os prazos para exportação e importação de mercadorias também aumentaram.

A crise dos containers é motivada, principalmente, pela alta demanda nos principais portos exportadores, como Ásia, EUA e a Europa, que atraem os armadores por serem mais interessantes economicamente, além de serem mais rentáveis quando comparado a outros países, como o Brasil.

Quando a pandemia estava no auge do número de casos, esses continentes não estavam exportando com a intensidade atual e, portanto, o Brasil não tinha problemas.

Agora, a concorrência acabou levando mais containers e navios para outras rotas, aumentando ainda mais os desafios da logística de quem importa.

Com a queda nas compras e vendas, o setor de containers também reduziu a produção de materiais durante a pandemia. E, agora, com a retomada da economia mundial, esse tipo de fornecimento também volta aos trilhos lentamente, não podendo ser feito de forma rápida. 

Todavia, esses problemas foram somados a questões antigas. Trabalhadores da área pontuam que ainda há falta de estrutura para atender 100% da demanda.

O prejuízo é grande durante a crise dos containers. Importadores e exportadores precisaram desembolsar mais para pagar os fretes dos concorridos containers e navios. 

Isso também pode afetar as mercadorias que necessitam de insumos que são importados, aumentando o valor passado aos consumidores. Além disso, os produtos podem ficar mais caros por causa do dólar ter de ser convertido para real, que está desvalorizado quando comparado a outra moeda.

Plataformas que não são adaptadas para containers maiores, de 40 pés, somente para o tamanho de 20 pés. Falta de otimização no uso do espaço, com o trânsito de navios que não operam em seu limite máximo por conta das solicitações de vários fornecedores com necessidades para cargas diferentes. 

Esses são só alguns dos problemas que a indústria enfrenta há muito tempo, além das questões provenientes da pandemia.

Além de tudo isso, a escassez de containers também foi afetada pelas medidas sanitárias contra a Covid-19, que podiam gerar a retenção das embarcações por até 15 dias quando um caso era identificado entre os integrantes da equipe de transporte marítimo.

1.1 Quando a crise da falta de containers vai melhorar?

De acordo com a Associação Brasileira dos Terminais Retroportuários e das Transportadoras de Contêineres (ABTTC), somente em janeiro de 2022 a situação deve começar a melhorar.

O Centro Nacional de Navegação Transatlântica (Centronave) aponta que algumas medidas estão sendo tomadas para atenuar essa situação, como o adiamento de desativação de embarcações mais antigas e reparos em containers danificados.

2. Quais os principais impactos na movimentação de containers durante a pandemia

Uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria apontou que mais de 70% das empresas sofreram e continuam enfrentando desafios relacionados à falta de containers, que tiveram seu valor de frete marítimo elevado para importação, exportação e serviços de distribuição.

Desde o começo da pandemia, em março de 2020, começaram a surgir possíveis razões para a falta de containers ao redor do mundo que tem impactado o comércio internacional no último ano.

A primeira hipótese é o fenômeno chamado de “Tempestade perfeita” por muitos especialistas do setor logístico. A expressão, normalmente utilizada em contextos econômico-financeiros para designar situações não-favoráveis e firmemente impactadas pela combinação de diferentes circunstâncias.

A desorganização e interrupção de rotas, além da alta demanda por medicamentos, artigos e equipamentos hospitalares impactaram diretamente o comércio internacional, e, como consequência disso, houve um efeito dominó no mercado como um todo. 

Isso afetou a dinâmica da logística global, que sofreu com inúmeros containers perdidos, além dos esforços dedicados ao combate contra o coronavírus.

Um segundo ponto importante para a intensificação da falta dos containers foi a redução das atividades por conta do lockdown, o que diminuiu consideravelmente as atividades econômicas do mercado internacional, das importações e exportações.

Houve diminuição na mão de obra disponível, por conta da redução da demanda de trabalho, além dos protocolos sanitários que reforçaram a importância do isolamento social. 

A partir daí, a capacidade portuária foi reduzida, o que dificultou o descarregamento de cargas de navios, fazendo com que os containers ficassem presos e limitados, sem a possibilidade de uso.

Para completar o cenário, muitas empresas foram financeiramente impactadas, logo, acabavam não tendo recursos para nacionalizar as mercadorias. 

Tudo isso influenciou diretamente na redução da produção e fabricação de containers, cuja demanda foi drasticamente diminuída.

Por fim, a terceira razão para a complicação na crise, foi o desequilíbrio entre a oferta e a demanda.

Como a produção de containers ainda não voltou ao normal, houve um conflito entre a necessidade das empresas e a disponibilidade de material para produção. 

Porém, com os avanços da vacinação e queda nos casos graves, é esperado que os portos retomem suas atividades, o que já ajuda, ainda que lentamente, na resolução dos desafios logísticos causados pela crise dos containers.

3. Principais desafios da logística com o disparo das vendas online e a retomada das atividades no mundo

Com o retorno e normalização das atividades econômicas ao redor do mundo, algumas tendências de logística devem ganhar destaque nos próximos meses. O aumento do comércio online é uma delas e, aparentemente, será permanente. 

Isso porque, de acordo com as estatísticas, houve uma alta nas vendas que migraram dos pontos físicos para o e-commerce, e continuaram dessa forma mesmo com o fim do isolamento social. Inclusive, até quem não comprava pela internet antes, começou com o hábito durante o pico da pandemia.

Por conta disso, o crescimento do e-commerce exigiu do varejo uma adaptação rápida e eficiente ao “novo normal”. A partir daí, as empresas de logística precisaram rever processos para atender a essas demandas, um deles foi a entrega e distribuição fracionada. 

Ou seja, é um tipo de organização distribuição pulverizada dos pedidos, onde as entregas ficam espalhadas em diversos pontos em uma região. Logo, em um mesmo envio, vários clientes podem ser atendidos com pedidos menores.

Além disso, durante o cenário pandêmico e, agora, na pós-pandemia, há uma exigência maior sobre a integração da cadeia logística. Então, empresas com uma integração maior entre fornecedores, mercadorias e clientes responderam melhor aos desafios impostos pela situação.

Isso acontece porque um processo de importação bem organizado faz com que a comunicação seja mais rápida e a identificação e correção de problemas também acontece com maior velocidade.

Outro desafio enfrentado pelo setor logístico foi a necessidade de criar centros de distribuição menores e em maior quantidade, assim, seria possível atender mais regiões de maneira ágil. 

Então, várias empresas do setor tiveram que substituir o modelo centralizado de uma única sede por várias unidades menores e geograficamente mais distantes.

Com a criação de pequenos centros de logística e distribuição, há mais autonomia entre as unidades para dedicar ao atendimento local, tornando o processo mais prático e organizado. 

Além disso, esse tipo de descentralização tem mais um lado positivo, que é a redução de custos, já que a distância a ser percorrida entre as entregas ficou menor.

O disparo nas vendas online também reforçaram a importância da tecnologia e da inteligência artificial no gerenciamento dos processos logísticos. 

Muitos negócios que contavam com gerenciamento manual de estoques e pouca flexibilidade logística passaram a apresentar problemas quando o isolamento social começou.

Então, a solução foi apostar em tecnologias especializadas em inteligência artificial para integrarem seus processos. Assim, foi possível realizar uma gestão financeira, de estoque e de organização muito mais eficiente. 

Ter esse tipo de tecnologia também fez com que as empresas antecipassem riscos e aproveitassem novas oportunidades de negócio, além de insights valiosos para utilizar na operação.

Por outro lado, empresas que adotaram tecnologias específicas e inteligência artificial nos seus processos conseguiram fazer uma eficiente gestão de estoques, custos, e demais fluxos internos.

Isso fez com que essas organizações se antecipassem a possíveis riscos e, também, gerassem novas oportunidades de negócios.

A busca por marketplaces já vinha em uma crescente antes mesmo da pandemia começar, e logo registrou um crescimento maior do que o do e-commerce brasileiro.

Isso foi intensificado com o isolamento social, porque comerciantes que tinham que ficar de portas fechadas migraram para grandes plataformas de vendas online para continuarem suas operações e não serem tão prejudicados.

Então, grandes redes varejistas e empresas de logística tiveram que ampliar suas operações e melhorar seus processos de distribuição para comportar a alta de comerciantes que chegavam no ambiente digital.

Com a retomada das atividades ao redor do mundo, muitos processos jamais serão como eram antes. Mas, a partir deste cenário, nem tudo é negativo. 

Já que, aos poucos, tanto quem vende quanto quem compra, já vem se adaptando ao novo normal e vê nele a chance de expandir horizontes. Com um mercado mais amplo e acessível para quem antes não se via inserido nessa realidade.

4. Qual a previsão para o fim da crise dos containers

A falta generalizada de containers nos portos não é uma situação passageira e ainda vai se arrastar por um longo período, impactando diretamente na balança comercial e na inflação.

Alguns especialistas do setor portuário e representantes de empresas de containers avaliaram a situação, e constataram que o mercado tende a apresentar melhora no início do ano que vem, mas que só vai normalizar, de forma geral, no segundo semestre de 2022.

Como já existe um consenso de que os problemas logísticos para o transporte de cargas vão continuar por boa parte de 2022, especialistas também buscam formas de minimizar os danos à indústria.

A curto prazo, o ideal seria aumentar o ritmo de produção industrial de containers e optar pela maior agilidade nas operações de carga e descarga dos navios nos portos. A outra saída, no entanto, seria a estabilização das cadeias globais e dos fluxos de movimentação, porém, exigiria mais tempo.

5. Como planejar as importações da China com a falta de containers

Para não ser prejudicado pela falta de containers, é fundamental adotar uma estratégia de antecipação na programação de embarques. Para a gestão e controle do transporte internacional, o ideal é contar com o auxílio de agentes de carga. 

Assim, a empresa que está importando, pode terceirizar uma etapa do processo, reduzindo custos e ganhando tempo e qualidade para a operação.

Contar com o apoio de um agente de carga assegura a participação de profissionais especializados na gestão do transporte marítimo, fazendo com que os desafios que a logística apresenta aos importadores brasileiros sejam resolvidos.

Para auxiliar tanto nesse processo, quanto no suporte para a operação de importação empresarial, escolher uma consultoria que ofereça o melhor serviço é essencial. Portanto, contar com a Guelcos é a estratégia ideal para garantir o custo-benefício de importar da China com facilidade e eficiência.

A falta de containers é um desafio logístico para os profissionais do setor, mas, assim como a recuperação e normalização da situação ao redor do mundo, é possível superá-lo. 

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vinicius alves marques guelcos international CIO

Vinícius Alves MARQUES

ESPECIALISTA EM IMPORTAÇÃO DA CHINA E CIO NA GUELCOS

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